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Natal no Bairro Santa Catarina - Agatha e a irmã Nicole não precisaram ir longe para ver o Papai Noel, ele foi até elas

12/12/2018

Comunidade inteira volta aos tempos de infância e deixa timidez de lado para cultuar o símbolo de final de ano

 

Uma honra poder brincar e assistir a espetáculos de qualidade enquanto o Papai Noel vem com seu trenó puxado pelas renas e desembarca bem no pátio da escola onde a gente estuda. Esta é a sensação da pequena Agatha Luiza, de sete anos, e da irmã Nicole Caroline, de quatro anos. Elas eram duas das centenas de crianças que estavam em polvorosa na noite desta terça-feira (11 de dezembro) para matar a curiosidade de ver o Papai Noel, sentir seu calor, o abraço e o bom sentimento em seu olhar na festa organizada pela prefeitura no bairro Santa Catarina, contemplando o Araucária, Santa Clara, Novo Milênio, Santo Antonio, São Luiz e Centenário. Aquele senhor de roupas vermelhas em tom forte, botas pretas, luvas e barba branca, óculos e touca com pompom na ponta veio devagar, acenando sem distinção, expulsando os maus pensamentos e deixando esperança e carinho pelo caminho. Na sua casa, montada improvisadamente no pátio do Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) Nossa Senhora dos Prazeres, com tudo a que se tem direito, árvore com enfeites coloridos e uma poltrona de rei, digna do Bom Velhinho, ele recebeu a fila de crianças e adolescentes, mães, pais e avós, com um afago demorado, além de posar para fotos nos celulares, ouvir os pedidos de seus pequeninos e distribuir doces. A Banda do Papai Noel não falha na agenda e fez parte do show.

Mas, bem, o assunto era as irmãs Agatha e Nicole. A mãe das garotas, a dona de casa Cristiane Dias, moradora do Santa Catarina, levou mais o sobrinho, Henrique, três anos, para dividir o Natal entre a chupeta e os artistas locais. “Eu vim ver o Papai Noel porque ele dá amor e carinho”, disparou Agatha sem necessidade de pensar como iria opinar. Sua mãe lembra que na época da infância dela, era bem diferente. “Dá a impressão que as famílias eram mais unidas no meu tempo de criança. Antes parece que as pessoas não estavam tão afastadas, tão longe. É efeito também das redes sociais, que deixam os familiares perto, virtualmente. Precisamos resgatar a união. As crianças gostam de passear, caminhar, ver coisas diferentes, por isto as trouxe, gostam das músicas, das luzes”, avalia Cristiane.

Os 18 da Orquestra

O Natal nos Bairros - Anunciação nasceu em decorrência do planejamento de “abrir as cortinas” para os artistas da própria comunidade. Nesta noite calorosa de terça-feira, a famosa Orquestra Soprano fez um show lado a lado com seu público, sob a regência do professor André Medeiros. A Orquestra tem 60 componentes, mas levou 18 ao evento, mesclando integrantes alunos do Caic, da Escola de Educação Básica (E.E.B.) Lúcia Fernandes Lopes e da E.E.B. Vidal Ramos Júnior (Centro Educacional), instrumentistas em clarinete, saxofone tenor, saxofone alto, saxofone soprano, trompete, trombone de vara, bumbo e quintom. Entre as dez interpretações, Noite Feliz, Jingle Bell Rock e Olhos de Tigre (tema do filme Rocky Balboa). Na apresentação do bairro foi optado pelo formato do Presépio Harmônico, já conhecido na cidade em edições anteriores do Natal Felicidade.

O projeto educacional e social Orquestra Soprano existe há cinco anos e privilegia alunos da rede pública com idade entre oito e 18 anos. Nos primeiros quatro anos de fundação, a Orquestra acumula 115 apresentações contados somente eventos natalinos. Em 2018 este cálculo vai passar de 40. “Estamos nos seis sorteios do Natal Premiado da CDL, o último será dia 27 deste mês. E de 18 a 23 estaremos em frente à loja A Favorita, no Centro, encantando as pessoas que passarem pelo local a passeio ou para fazer compras. Nos dias 13 e 20, no Natal Felicidade, um concerto no Largo da Catedral, às 20h, para ninguém esquecer. Geralmente são dois ensaios por semana, nesta época vão para três, quatro. Eu, particularmente, espero o ano todo pelo Natal, é especial demais. As pessoas param de fazer o que estavam fazendo para nos olhar, se emocionam. Têm idosos de 60, 70 anos, que recordam sua infância, Não tem preço ter este dom e ser capaz de fazer as pessoas chorarem. É o contraponto de tudo de ruim que as pessoas passam no resto do ano, é hora de descarregar”, reitera o professor André Medeiros, que estuda música há 14 anos, sabe dedilhar as notas no violão clássico, exprimir os sons da flauta doce e do trompete, num total de oito instrumentos.

Ele é contratado pelo município e dá aulas de música no Caic. Este ano foram adquiridos novos instrumentos para a Orquestra, devido a uma devolução de recursos pela Câmara de Vereadores à prefeitura. Um investimento de R$ 15 mil. A Orquestra também já recebeu ajuda de empresários.

A partir da Orquestra foi montado um grupo musical, que viaja e concorre em festivais ou simplesmente se mostra para divulgar o trabalho e disseminar esta arte. Em outubro deste ano, em Blumenau, por exemplo, o grupo foi 1º lugar na categoria Banda Musical de Marcha no Campeonato Estadual de Bandas e Fanfarras, classificando-se para o Nacional em 2019. No Concurso Sul-Brasileiro de Bandas e Fanfarras (Confabansul), sediado em Lages em setembro deste ano, tirou o 2º lugar na categoria. Outra participação de envergadura é no Festival Internacional Música na Serra, promovido pelo Instituto José Paschoal Baggio (IJPB) transformando um projeto social em referência de know-how no segmento. “Também estivemos em Otacílio Costa, Ponte Alta e Correia Pinto. Toda apresentação é um crescimento pessoal e profissional”, sublinha André.

As gurias das notas musicais

Amanda de Lima, 11, estuda no Centro Educacional e toca saxofone na Orquestra do Caic. “A troca de experiência entre comunidades é legal. Se tem uma coisa que eu gosto imensamente de fazer é tocar, algo para a minha vida. Maria Luiza Ferreira de Faria, 16, toca saxofone alto. “Modifica os dias da nossa vida, eu adoro me apresentar.” Andriéle da Silva de Oliveira, no trombone. “É tão bom que nem dá vontade de voltar para casa. A Orquestra muda a vida da gente”, confessa Andriéle.  

Na plateia do Natal nos Bairros, animado pelo locutor Souza Filho, o “palhaço do bem” que as crianças tanto adoram, também estava a teleatendente Caroline Bortoli, com os filhos Renan, 6, e Alice, de um ano, e a avó Mônica. Ele estuda no 1º no Caic. Ela soube do evento pela página do Natal Felicidade no Facebook. “O Renan adora o Papai Noel.Ansioso para ver.” Assim que aguarda a chegada, Renan adianta sobre o presente que gostaria de ganhar. “Um kit de massinha colorida para modelar.” Sua bisavó Mônica diz que o Natal, apesar das mudanças com o passar das décadas, tem um sentido universal e atemporal que nunca deve desaparecer. “É o nascimento de Jesus, e não o consumismo exacerbado. O que mais gosto é de ver estas crianças felizes, correndo. Antigamente o Natal era assim: A gente tinha uma vida simples, morava no sítio em Abdon Batista e era difícil ter as coisas. As crianças têm de saber os valores e levar isto para a vida inteira. Não só falar, mas praticar.”

Os 12 do canto e coral da Antônio Joaquim Henriques

Alunos da Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Professor Antônio Joaquim Henriques, do bairro vizinho, Centenário, deram um toque de modernidade com seu funk natalino. Eram 12 no Natal nos Bairros. Eles apresentaram, ainda, a música Vem Chegando o Natal, e uma reprodução do nascimento de Jesus com o presépio vivo, formado por Maria (Valentina, de cinco anos); José (Thiago, de sete), e o Anjo (Davi, de oito). A oficina de canto coral é uma iniciativa do Programa Mais Educação, na rede municipal. No canto e coral são 40 crianças e adolescentes de oito a 15 anos. Nesta Emeb o Mais Educação é executado há cerca de cinco anos. Atualmente oferece as oficinas de reforço em português e matemática, taekwondo, canto coral e futsal. “O canto coral lidera o número de adesões, auxilia na obediência dos estudantes, ficam mais tranquilos, no comportamento e no empenho em tirar boas notas. Nós fazemos exercícios de concentração e isto contribui para o processo de foco e aprendizado”, salienta a professora Sebinca Anjos. O prefeito Antonio Ceron compareceu a mais este dia de Natal nos Bairros.

Nesta quarta-feira (12), será vez do bairro Conta Dinheiro - 1º Batalhão Ferroviário (1º BFv), Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Maria Quitéria, com shows a partir das 19h e chegada do Papai Noel às 21h. No Centro, o Natal Felicidade transcorre simultaneamente, até dia 23. Nesta quarta (12), haverá as seguintes atrações: Núcleo Lages Melhor do bairro Guarujá, às 20h; Coral Martin Luther às 20h30min, e Projeto Samba Raiz às 21h.

O Natal Felicidade 2018 é promovido pela prefeitura de Lages, através da Fundação Cultural de Lages (FCL) e Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Turismo, entre outras pastas municipais, e com a parceria da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). A Havan é a patrocinadora master, além dos patrocínios do Ministério da Cultura/Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), Klabin, GTS do Brasil, Supermercados Myatã e Martendal, Flex Relacionamentos Inteligentes, Idaza e American Oil. Apoio da Polícia Militar.

Texto e foto: Daniele Mendes de Melo